Nunca pensei antes abordar este assunto, mas sinto a necessidade de refletir sobre o caso de Isabel Dos Santos, filha do antigo Presidente Eduardo Dos Santos, alvo de ataques e perseguições judiciais pelo governo de João Lourenço. Enquanto muitos indivíduos que desviam e desviaram recursos públicos no atual poder permanecem impunes, Isabel Dos Santos tem sido apontada como foco principal da chamada "luta contra a corrupção" em Angola.

Este artigo propõe uma reflexão crítica: não para justificar ações ilegais, mas para analisar o contexto histórico, político e econômico em que estas perseguições ocorrem, reconhecendo que, diferentemente de muitos outros que desviam o erário público, Isabel Dos Santos investiu em Angola, criou empregos e contribuiu para o desenvolvimento do país.

O legado da corrupção e a cultura da bajulação

O velho ditado diz que a oportunidade faz o ladrão. Embora eu não concorde com esta afirmação, é preciso reconhecer que, em Angola, o sistema criado pelo MPLA ao longo de décadas gerou uma cultura de corrupção e bajulação. Um escritor angolano observou certa vez: “Quando a mentira é um hábito, a verdade torna-se inválida.”

Este sistema ensinou gerações a acreditar que competência não é o caminho para ascender, mas sim a lealdade e a bajulação. Nesse contexto, qualquer indivíduo inserido nesse ambiente é moldado por essas regras tácitas. Por isso, pode-se dizer que Isabel Dos Santos, mesmo que criticável, agiu dentro das estruturas herdadas — uma consequência de décadas de práticas institucionais e sociais que valorizam o privilégio em detrimento do mérito.

Investimento versus desvio de recursos

Diferentemente de muitos que desviam recursos sem gerar valor, Isabel Dos Santos investiu em setores estratégicos em Angola, criou oportunidades de emprego para jovens e contribuiu para o crescimento econômico em diversas áreas. O governo atual, liderado por João Lourenço, tem atacado não apenas Isabel, mas também os filhos e familiares, em processos que parecem selecionar alvos para dar a impressão de combate à corrupção.

Pesquisas e notícias internacionais indicam que Isabel Dos Santos foi alvo de congelamentos de contas, processos judiciais e acusações de corrupção, muitas vezes em contextos que levantam dúvidas sobre seletividade e motivação política. Enquanto isso, outros indivíduos no poder continuam a usufruir de privilégios sem sofrer consequências equivalentes. ([BBC, Financial Times, Reuters])

Esta discrepância evidencia uma corrupção seletiva: enquanto uns são punidos publicamente, outros permanecem impunes, e o foco das críticas recai sobre quem investiu e gerou valor, e não necessariamente sobre quem simplesmente desviou recursos.

O impacto sobre a juventude e a economia

Ao atacar Isabel Dos Santos e seus projetos, o governo não apenas mira a empresária, mas também os empregos e oportunidades que foram gerados por seus investimentos. Empresas criadas por Isabel empregam milhares de jovens, oferecendo formação, experiência e futuro econômico. Comparativamente, muitos dos atuais gestores ligados ao poder não criaram valor significativo, mantendo o status quo de dependência e miséria.

Esta situação levanta questões profundas: quem realmente contribui para Angola? Quem apenas se apropria dos recursos? O contraste entre investimento e desvio é evidente, e o impacto na juventude e na economia é direto. ([The Guardian, Bloomberg])

Nepotismo e seletividade na luta contra a corrupção

O governo angolano alega lutar contra a corrupção, mas mantém práticas de nepotismo semelhantes às do período de Eduardo Dos Santos. Atacar a família Dos Santos enquanto se mantém privilégios e impunidade para aliados próximos do poder cria uma percepção de injustiça e seletividade.

Esta estratégia tem efeito político e simbólico: dar a impressão de que há combate à corrupção, enquanto os alvos são escolhidos por motivos políticos e não por impacto econômico ou legal. A seletividade compromete a credibilidade das instituições e alimenta o sentimento de impunidade, enfraquecendo a confiança da população no Estado.

Reflexão crítica

Este artigo não pretende justificar desvios ou atos ilegais, mas propor uma reflexão sobre o contexto e as consequências das ações do governo. Isabel Dos Santos, mesmo criticada, representa um modelo de investimento e geração de valor em Angola, contrastando com outros que apenas desviaram recursos sem criar emprego ou desenvolvimento.

O sistema político angolano, legado do MPLA, tem formado gerações de gestores que priorizam lealdade sobre competência. Em tal contexto, reconhecer quem investe no país e contribui para o seu futuro é essencial para uma análise justa e crítica.

A luta contra a corrupção em Angola precisa ser coerente, imparcial e transparente, evitando perseguições seletivas que confundem justiça com retaliação política.

Conclusão

O caso Isabel Dos Santos expõe contradições profundas: enquanto o país enfrenta pobreza, nepotismo e falta de oportunidades, os investimentos feitos por alguns, mesmo controversos, mostram um caminho de contribuição real para a sociedade. O debate deveria focar-se na criação de estruturas justas e na promoção de oportunidades para todos, não apenas na perseguição de alvos políticos.

Angola precisa de uma luta contra a corrupção que seja universal, transparente e justa, reconhecendo quem contribui para o crescimento do país e responsabilizando aqueles que apenas usufruem dos recursos públicos sem gerar valor.

Esta reflexão é crucial para entender os desafios de desenvolvimento, confiança nas instituições e formação de uma nova geração de gestores competentes e éticos em Angola.

Isabel Dos Santos e a Corrupção Seletiva em Angola

Por Paulo Muhongo

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POLITICA

1/21/20264 min ler