

O Preço da Paz
Por : Paulo Muhongo — Escritor, Poeta e Analista Político
1. A Paz Acima de Tudo
Vivemos num mundo onde muitas pessoas estão dispostas a suportar tudo e mais alguma coisa para alcançar os seus objetivos. Talvez este seja um dos aspetos que mais me distingue da sociedade moderna. No meu caso, quando algo ameaça a minha paz interior, afasto-me.
Não importa se estamos a falar de dinheiro, de amor, de relações ou de questões familiares. A partir do momento em que determinada situação começa a roubar-me a tranquilidade, o sono ou a serenidade da alma, sinto uma enorme dificuldade em continuar. Não consigo fingir que está tudo bem. Não consigo suportar por suportar.


2. O Dilema que Me Acompanha
Talvez seja uma virtude. Talvez seja um defeito. Talvez seja apenas uma característica da minha personalidade. A verdade é que, aos trinta e dois anos, continuo a enfrentar este dilema.
Muitas pessoas perguntam-me porque ainda não sou casado. A resposta não é simples. Ter alguém na nossa vida implica, inevitavelmente, sair da nossa zona de conforto. Implica partilhar espaços, sonhos, preocupações e responsabilidades. Exige uma disponibilidade emocional que, muitas vezes, não encontro dentro de mim.
Talvez essa seja também uma das razões de alguns fracassos que tive ao longo da vida, seja em projetos pessoais, seja em áreas que domino bem. Falta-me, por vezes, aquela capacidade de persistir quando tudo se torna pesado. Falta-me a disposição para continuar quando o preço a pagar é a minha paz.


3. O Culto do Sacrifício
Não significa que eu não valorize o esforço. Significa apenas que não acredito que todas as conquistas justifiquem todos os sacrifícios.
Vivemos numa época em que os discursos são quase sempre os mesmos: "vai atrás", "luta até ao fim", "sofre agora para colher depois". Há quem encontre inspiração nessas palavras. Eu não.
Não sou rico. Também não me considero pobre. Sempre procurei viver de forma digna, assegurando aquilo que considero essencial para uma vida simples e honesta.


4. As Lições da Pobreza
Alguns poderão chamar-lhe comodismo. Talvez tenham razão. Mas não estou disposto a sacrificar a minha saúde mental, emocional ou física para adquirir mais bens materiais, um carro melhor ou uma casa maior.
Talvez esta visão tenha sido moldada pelos anos em que vivi na pobreza. Aprendi cedo que o amanhã não está garantido. Aprendi que cada dia é uma dádiva concedida pelo Criador e que a vida deve ser vivida no presente, sem a obsessão constante por um futuro que ninguém pode prometer.


5. As Pessoas que Admiro
Por isso, confesso que admiro certas pessoas.
Admiro aqueles que sacrificam tudo para alcançar um cargo importante. Admiro aqueles que permanecem anos numa relação difícil, acreditando que o amor acabará por transformar a outra pessoa. Admiro aqueles que colocam constantemente os outros em primeiro lugar.
É preciso coragem para viver dessa forma.
Eu não sou assim.


6. A Exceção Chamada Família
Reconheço que existe em mim uma certa dose de egoísmo. Ou talvez seja apenas instinto de preservação. Coloco-me frequentemente em primeiro lugar.
Existe, no entanto, uma exceção.
A minha mãe.
A ideia de a ver sofrer enquanto eu estivesse bem seria insuportável para mim. O mesmo se aplica, em certa medida, às minhas irmãs e aos familiares mais próximos.


7. O Bem Mais Precioso
Acredito apenas que existe uma lógica simples na vida: se eu perder a minha própria existência, tudo aquilo que construí deixará de ter importância.
O bem mais precioso que possuo é a minha vida. É a minha consciência. É a minha capacidade de continuar aqui.
Por isso, devo cuidar dela com dignidade.
A sociedade é composta por pessoas muito diferentes. Cada uma possui a sua forma de sentir, de amar, de sofrer e de interpretar o mundo.


8. As Estações da Alma
Quanto a mim, considero-me uma pessoa satisfeita com aquilo que sou. Não me considero infeliz. Mas também não acredito numa felicidade permanente.
A felicidade, tal como as estações do ano, é passageira.
Agora vivemos a primavera. Depois virá o verão. Mais tarde chegará o outono e, inevitavelmente, o inverno. A alma humana segue o mesmo ciclo.
Existem momentos de luz e momentos de sombra. Existem períodos de entusiasmo e períodos de recolhimento.
Devemos acolher todos eles.
Admiro as pessoas que parecem estar sempre felizes, sempre sorridentes. Eu não sou assim. Tenho dias em que quero conversar com toda a gente. Mas também tenho dias em que desejo apenas o silêncio.
Há momentos em que deixo de responder aos amigos. Não porque me considere importante. Não porque queira afastar-me deles. Mas porque preciso de regressar a mim mesmo.
Preciso de me refugiar dentro de mim.
Num mundo onde todos parecem procurar constantemente os outros, eu procuro, de vez em quando, encontrar-me.
E talvez seja exatamente aí que encontro a minha paz.
💬 E você, o que pensa?
E tu, até que ponto estás disposto a sacrificar a tua paz interior para alcançar aquilo que desejas?
O Preço da Paz Interior: Reflexões sobre escolhas, silêncio e equilíbrio emocional
Vivemos numa sociedade que nos ensina a insistir, a lutar e a nunca desistir, mesmo quando isso custa a nossa paz interior. Mas será que todas as conquistas valem o preço emocional que pagamos por elas?
MINDSET SAUDÁVELREFLEXÕESNOVOARTIGO
6/6/20264 min ler
