Introdução: cidadania e reflexão sobre as instituições
Na 6.ª Reunião Plenária Ordinária da 4.ª Sessão Legislativa da V Legislatura, o Presidente do Partido de Renovação Social (PRS), Benedito Daniel, apresentou uma declaração política abordando o funcionamento do Estado, a justiça e a proteção dos direitos sociais em Angola.
O discurso enfatiza a importância da ética, da imparcialidade e da cidadania, alinhando-se à perspectiva de João Paulo Ganga, sociólogo e jornalista angolano, que destaca que refletir sobre instituições, poder e justiça social é essencial para fortalecer a democracia.
Criticar instituições não é atacar o Estado, mas exercer cidadania, garantir justiça e proteger os direitos de todos.
Estado Democrático e de Direito: conceito e prática
“...permitam-nos, por meio desta declaração política, fazer uma reflexão sobre a contribuição dos órgãos de soberania na construção do Estado democrático e de direito que almejamos para o nosso país.”
Análise: O PRS afirma que o Estado de Direito depende de todos os órgãos do Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário.
Entenda melhor:
Órgãos de soberania: são os três poderes do Estado, cada um com funções específicas, mas todos devem trabalhar para proteger cidadãos e garantir que a lei seja aplicada de forma justa.
Questionar o funcionamento das instituições faz parte da cidadania e fortalece a democracia.
Fundamentos do Estado Democrático
“Essa construção assenta-se num conjunto de premissas fundamentais que garantem a legitimidade do poder, a proteção dos cidadãos e o funcionamento equilibrado das instituições.”
Análise: O Estado Democrático não se sustenta apenas em leis; precisa de ética, transparência e proteção social.
Entenda melhor:
Legitimidade do poder: confiança de que governantes e instituições atuam de forma justa.
Proteção social: todos têm direitos garantidos, independentemente da classe social.
Função dos órgãos de soberania
“A sua consolidação depende da atuação articulada de vários órgãos: Presidente da República, Governo, Assembleia Nacional e tribunais.”
Análise: O PRS descreve o papel de cada poder:
Presidente da República: garante cumprimento da Constituição e estabilidade;
Governo: administra políticas e serviços públicos;
Assembleia Nacional: cria leis e fiscaliza o Executivo;
Tribunais: resolvem conflitos e protegem direitos.
Entenda melhor: cada órgão tem responsabilidades diferentes, mas todos devem trabalhar juntos para garantir justiça e igualdade.
Igualdade perante a lei
“Todos governantes e governados estão sujeitos à lei; cabe ao poder judicial garantir essa igualdade.”
Análise: O PRS enfatiza que nenhum cidadão deve receber tratamento especial ou ser prejudicado por status social, riqueza ou influência política.
Entenda melhor:
Todos têm os mesmos direitos e deveres.
Isso evita que poderosos se beneficiem de forma injusta e protege os mais vulneráveis.
Sistema judicial imparcial e acessível
“O sistema judicial deve ser imparcial, acessível e eficiente, assegurando justiça, legalidade e proteção dos direitos individuais e coletivos.”
Análise: Tribunais devem seguir regras claras e não tomar decisões baseadas em interesses pessoais.
Entenda melhor:
Imparcialidade: o juiz não pode favorecer ninguém com base na posição social;
Acessibilidade: qualquer cidadão deve conseguir levar seu caso à justiça, mesmo sem recursos financeiros.
Problemas identificados no Judiciário
“Infelizmente, alguns juízes afastam-se desses princípios, adotando como critério predominante interesses próprios, muitas vezes avaliando a condição social do arguido.”
Análise: O discurso denuncia decisões injustas motivadas por interesses pessoais ou status social.
Entenda melhor: isso compromete a confiança pública e fragiliza a justiça.
Corrupção e envelopes com dinheiro
“A tramitação de envelopes contendo valores monetários nos tribunais se tornou frequente e lamentavelmente normalizada.”
Análise: O PRS alerta para a mercantilização da justiça, que afeta principalmente os mais pobres.
Entenda melhor: Corrupção judicial enfraquece a democracia, prejudica cidadãos vulneráveis e diminui a confiança nas instituições.
Advogados e ética profissional
“Alguns envelopes são transportados por advogados que deveriam garantir o acesso à justiça, mas deixam de defender o direito.”
Análise: A crítica não é corporativa, mas sistêmica. Advogados devem garantir direitos, não interesses ilegítimos.
Entenda melhor: Um advogado ético ajuda a equilibrar a disputa no tribunal e protege os direitos do cidadão.
Impactos sociais: crianças, mulheres e cidadãos vulneráveis
“Cidadãos que violam menores são absolvidos por alegada insuficiência de provas; divórcios ocorrem sem partilha justa; cidadãos perdem terras em tribunais...”
Análise: O PRS demonstra as consequências reais da falta de imparcialidade e ética no sistema judicial.
Entenda melhor: falhas institucionais afetam diretamente a vida de pessoas comuns, aumentando sofrimento e desigualdade social.
Pergunta central: quem protege os vulneráveis?
“Quem deve proteger os direitos humanos das pessoas mais vulneráveis? Quem deve assegurar igualdade perante a lei se alguns juízes não são capazes de garantir justiça?”
Análise: O discurso destaca a urgência da reforma ética e institucional, colocando a proteção dos cidadãos como prioridade.
Entenda melhor: Para o cidadão, isso significa que fiscalização e participação social são essenciais para pressionar por justiça e igualdade.
Liberdade de expressão e dever cívico
“Usamos esta oportunidade e nossa liberdade de expressão para trazer reflexão responsável e contribuir para debate público informado.”
Análise: Denunciar falhas não é ataque ao Estado, mas exercício de cidadania e responsabilidade social.
Entenda melhor: Participação ativa e crítica fundamentada fortalecem a democracia.
Conclusão: cidadania informada como base da democracia
O discurso do PRS evidencia:
Ética e imparcialidade são essenciais para justiça;
Falhas institucionais geram desigualdade e descrença;
Participação cidadã e fiscalização fortalecem o Estado.
Entenda melhor: conhecer direitos, entender funções do Estado e participar do debate público é a forma mais eficaz de proteger sua cidadania e garantir justiça para todos.


PRS Aponta os Principais Erros do Partido-Estado na Construção do Estado de Direito
Declaração política apresentada na 6.ª Reunião Plenária Ordinária da 4.ª Sessão Legislativa da V Legislatura
Análise crítica e explicativa do escritor Paulo Muhongo
Caixas explicativas para o leitor
Órgãos de Soberania: Presidente, Governo, Assembleia Nacional e Tribunais. Cada um com função própria, mas todos devem atuar juntos.
Imparcialidade: Decisão judicial justa, sem influência de riqueza, status social ou poder político.
Acessibilidade: Todo cidadão deve conseguir recorrer à justiça, mesmo sem recursos financeiros.
Cidadania ativa: Participação crítica e responsável no debate público, defendendo direitos próprios e coletivos.
💬 E você, o que pensa
Se a justiça deve proteger a todos, o que acontece com a democracia quando os mais vulneráveis deixam de confiar nos tribunais?
PRS denuncia falhas do Partido-Estado e desafios do Estado de Direito
Análise detalhada da declaração política do PRS sobre os principais erros do Partido-Estado na construção do Estado de Direito em Angola. O artigo explica falhas no sistema judicial, desigualdade perante a lei, corrupção, ética pública e o papel do cidadão na defesa dos direitos e da justiça.
POLITICA
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