"muitas vezes passamos uma vida inteira a procurar ser entendido. talvez o sentido da vida se resuma em histórias — aquelas que só nós podemos contar, aquelas que só nós podemos sentir no acordar e no morrer.
em cada mudança do clima, procuramos encontrar-nos sempre; em cada perda — aquela perda que é apenas nossa — procuramos as feridas que se esconderam em nós, mas também aquelas feridas que foram causadas por nós.
a ferida da autodestruição, da auto decepção, da autotristeza, da autoaceitação, da automorte, da autoprecose.
procuramos curas nas nossas massas emocionais. em cada jornada da vida, procuramos curar as nossas próprias histórias — boas ou más, tristes ou felizes, de dor ou de satisfação.
mas curar-se sempre, e aceitar com sabedoria que o eu move montanhas, move céus; que o eu é mais importante do que eles ou elas.
talvez a vida seja feita de emoções e não de corpo. talvez as histórias que vamos contar até ao fim sejam mais importantes do que aquilo que somos no imediato. talvez a vida seja feita de memórias e não de corpo.
e quando chegarmos aos cem anos, talvez percebamos que percorremos uma verdadeira história de emoções.
assim como o rio segue o seu percurso natural, sejamos nós apenas — sem nos moldarmos a formas que nos enquadrem, sem nos tornarmos seres sem memórias…
muitas vezes passamos a vida sem ver quão bela ela é.
muitas vezes esquecemos que somos nós que escrevemos e vendemos as nossas próprias histórias.
viva. viva por você.
viva por você.
se for morrer, morre por você.
se for amar, ama por você.
se for perdoar, perdoa por você.
apenas por você.
sempre por você.
o seu propósito.
o seu sucesso.
o seu fracasso.
as suas emoções, a sua história.
talvez a vida seja sobre memória.
Talvez seja uma virtude. Talvez seja um defeito. Talvez seja apenas uma característica da minha personalidade. A verdade é que, aos trinta e dois anos, continuo a enfrentar este dilema.
Muitas pessoas perguntam-me porque ainda não sou casado. A resposta não é simples. Ter alguém na nossa vida implica, inevitavelmente, sair da nossa zona de conforto. Implica partilhar espaços, sonhos, preocupações e responsabilidades. Exige uma disponibilidade emocional que, muitas vezes, não encontro dentro de mim.
Talvez essa seja também uma das razões de alguns fracassos que tive ao longo da vida, seja em projetos pessoais, seja em áreas que domino bem. Falta-me, por vezes, aquela capacidade de persistir quando tudo se torna pesado. Falta-me a disposição para continuar quando o preço a pagar é a minha paz."
Joyner Sarkas Omar






